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Por que perseguição?Diante da percepção de estava diante de um objeto de pesquisa em transe, forneci a seguinte explicação em meu texto de qualificação : "os acontecimentos do passado e as linhas de força do presente importam somente na medida em que fornecem perspectiva para tendências latentes que anunciam desdobramentos possíveis e futuras configurações, de forma que o recorte da pesquisa não é uma delimitação de um objeto pesquisado a partir de dados coletados, mas uma derivação dos objetivos iniciais a partir de dados perseguidos. O projeto deixa de ser um mapa com um trajeto definido a ser percorrido e passa a ser projeção : uma plataforma de lançamento a um fluxo ao qual o pesquisador deve, de certa forma, se entregar para conseguir acompanhá-lo e produzir sua reflexão."
Eu utilizo o termo perseguição no lugar do termo investigação, pois pretendo destacar que nosso esforço de pesquisa se lança a um objeto em movimento, que se transforma enquanto pesquisamos. Ou, melhor, para destacar que é justamente o movimento de transformação do objeto que nos interessa. É dessa viagem que saiu a diferença entre projeto e projeção que fez sucesso naquela conversa (27/08/2007) num buteco, depois da palestra do Viveiros no Cebrap. Talvez seja muito simplismo da minha parte, mas a idéia de projeto teria o problema de já saber onde se quer chegar e o risco de não captar o que um acontecimento traz de novo. Já a idéia de projeção, toma os problemas iniciais de uma pesquisa como caminhos possíveis que serão percorridos ou não, levando-se em conta as transformações no território sob o qual se desloca e, assim, fazendo do deslocamento o território de investigaçào : as transformações do objeto de pesquisa e os novos caminhos que podem aparecer no caminho. Como se o projeto fosse uma definição de para onde se caminhar, e a projeção-perseguiçào uma definição de como se caminhar. |